Meio-tom e Cor
Impressão em P&B e monocromia
- É por meio de uma retícula que se geram os diversos tons de cinza nas impressões em preto-e-branco.
- Um impresso em P&B, não se produz com o uso de tintas de diversos gradações de cinza, e sim por apenas um aplicação de tinta – no caso, a preta. ( o cinza é determinado a partir da quantidade e do tamanho dos pontos pretos impresso no papel)
- Retícula mais fechada – ou seja, com mais e maiores pontos – obtêm-se os cinzas mais escuros, até chegar ao preto.
obs: áreas totalmente em preto, não utilizam retícula, porque não são meio-tom e sim traços. Ou seja tinta aplicada sem variações.
- Retícula mais aberta – com menos e menores pontos – temos cinza mais claros, até chegar ao branco ( ou a cor do papel ) – que é a ausência de tinta.
- Monocromia – impressões nas quais se utilizou uma única tinta. Mas observa-se que ela pode ser tanto em traço quanto em meio-tom. A diferença é que no primeiro caso ( do impresso P&B do cinza ) não ocorre gradação de cor de tinta: ela sempre será impressa no tom da tinta – não a meio-tom!
Impressão em cores
Nesse ponto, começa-se com uma observação, além de produzir meio-tons de uma mesma tinta – ou seja de uma mesma cor – a retícula é utilizada para simular misturas de tintas. Criando novas cores – chamada de impressão colorida.
Para simular essa impressão, os processos gráficos mais empregados não usam uma tinta para cada cor, mas apenas algunas tintas de cores diferentes – em geral quatro. Mas porém essas tintas não são misturadas fisicamente uma com as outras – a mistura ocorre oticamente por meio da ” confusão “. Em nossa vista provocam diversos pontos pequeninhos e de cores diferentes, mas quando os vemos não parecem pontos, mas meio-tons que formam em nossa visão cores diferentes das cores das tintas utilizadas.
Ou seja, numa impressão de uma foto, usam-se quatro tintas – para produzir todas as demais – e essas outras “demais” são apenas simuladas pela retícula. Com isso são feita quatro impressões sobre o mesmo papel e elas simulam dezenas ou centenas de outras cores.
Um grande exemplo disso, é visualizar um outdoor, neles há o uso de retículas com pontos muito grandes – para ser visto de longe. Se observado de perto, você verá claramente como funciona a retícula.
Policromia
Quando falamos em impressão colorida, nos referimos a um processo que se utilizou pelo menos quatro cores básicas, para a formação de toda as demais – a chamamos de policromia – ela podem ser formadas por tintas de 4 ou mais cores diferentes. Hoje em dia não é mais usado o termo quadricromia, mas ele se refere a impressão formada por 4 cores.
Tipos de impressão :
duas cores – bicromia (por meio de retículas ) – já em meio-tons é chamada de duotone.
três cores – tricromia (por meio de retículas ) – já em meio-tons é chamada de tritone.
Cor de seleção ou de escala
A policromia é a simulação com apenas as cores básicas, essas cores são denominadas cores de seleção. Já a mistura ótica delas, por meio de retículas, forma uma gama de cores, que é chamada de escala (o conjunto de todos os meio-tons “todas as cores”, possíveis de serem obtido com a mistura das cores de seleção).
obs: cada uns dos meios-tons, que formam a escala é chamada de cor de escala.\
- escala – o conjunto de diversas cores, formadas por cores básicas.
- cor de seleção – as cores básicas que formam a escala.
- cor de escala - as cores geradas pelas cores de seleção, que juntas, formam a escala.
obs : a escala para a produção de policromias é formada pelas cores de seleção, “cian, magenta, amarelo e preto”, conhecida por Escala Europa, embora a ela não inclua o preto.
Muitos gráficos chamam a Escala Europa de Escala CMYK.
Uma grande observação da escala CMYK, é que nos programas de computador elas não são bem pré-definidas, para gerar cores ou arquivos. Esse programas estão configurados para atender a visualiação das cores da tela do monitor, denominada Escala RGB “red, green e blue”, ou seja, ela não se adequa ao uso da corpigmento(tintas), então se faz necessário, que em seus projetos você configure as cores de todos os arquivos (mesmo aquele gerados em outros programas), para CMYK, para que os fotolitos sejam feitos corretamente.
CMYK e RGB são escalas tão distintas que a mistura de suas cores de seleção tem resultados radicalmente distintos: luzes vermelhas, verdes e azuis, misturadas resultarão num feixe branco; tintas cian, magenta e amarela, se misturas resultarão em algo assemelhado ao preto. Por isso para se produzir um impresso é sempre importante converter as cores de RGB para CMYK, na quais são adequada para o uso de pigmentos.
As policromias podem ser facilmente identificáveis pela ocorrência das rosetas, que são conjuntos formatos pelos quatro pontos de cada uma das cores de seleção CMYK. Para isso é necessário que esses pontos sejam impressos em posições diferentes, assim a retícula de cada uma das cores de seleção tem linhas dos pontos com uma inclinação diferente: amarelo 90 “graus”, o cian 75 “graus”, o preto 45 “graus” e o magenta em 15 “graus”, a roseta é o conjunto de aparência hexagonal, que são formadas pelos quatros pontos dispostos nessa inclinação, porém para identificar as rosetas é preciso um “contas-fios” – exceto que a lineatura do fotolito tenha sida tão baixa, onde os pontos possam ser vistos a olho nu.
Especificação das cores de escala
Todos os programas de design gráfico dispõem da escala CMYK (mais apropriada para impressão) e RGB (pré-definida), mas você não deve escolher a cor pelo que vê na tela do pc, pois ela aparece distorcida pois está pré-definida em RGB. Em vez disso é mais apropriado o designer consultar a escala impressa, criando e aplicando as cores de escala desejada pelo comando do programa. Na impressão ela será simulada por meio de retículas com as tintas nas cores de seleção utilizadas para a produção daquela cor. A quantidade de tinta varia a partir da quantatidade (e o tamanho) dos pontos das retículas de cada uma das cores de seleção.
Obs para designer, indica-se as retículas a serem utilizadas por cada tinta para simulação daquela cor, isso é feito por porcentagem (forma de define a quantidade de pontos). Um exemplo : obtém-se um determinado tom de laranja com 10% de magenta e 80% de amarelo, isso significa que a quantidade e / ou o tamanho dos pontos que formam a retícula do amarelo cobrirão aproximadamente 80% da área do papel, enquanto os pontos de magenta apenas 10%. Vemos o tom que desejamos a partir das misturas desses pontos.
Para identificar a porcentagem, são utilizadas as iniciais (em inglês) de CMYK, sempre intercaladas por barras e tendo a porcentagem antecedendo cada inicial. Exemplo : um roxo formado por 100% de cian e 80% de magenta – 100C/80M. OBS : o B é utilizado como notação do preto (black), para não haver confusão com a indicação do azul (blue) em RGB.
Separação de cores
- separação de cores ou seleção de cores é como se chama o processo de decomposição das cores presentes nos layouts, para que possam ser produzidas separadamente nos fotolitos ou as matrizes para cada uma das tintas que serão usadas na impressão (ou seja padrão CMYK).
Esse processo vem passado por varias transformações – primeiro era realizado automaticamente (através dos programas gráficos) – depois eram fotográficos, com o uso de filtros coloridos, durante a preparação de fotolitos, e agora são informatizados.
obs: a separação de cores só seram realizadas corretamente, se o layout estiver no padrão CMYK (tanto imagens textuais, quanto fotos, ilustrações, grafismo…), mas se ainda estiverem em RGB (na qual é pré-definido pelos programas), a separação ocorrerá com erros.
Um exemplo disso, um designer fez um desenho onde a cor de fundo seria um vermelho fechado e o título um marrom, e tudo seria produzido em policromia. Consultando a escala de impressão (escala europa), o designer identifica que esta cor de escala é formada por meio-tons de CMYK, C30/M100/A100, dessa forma, os fotolitos e as chapas, seram divididos em três : uma parte pelo cian com 30%, magenta com 100% e a terceira por amarelo com 100%. Quando for realizada a impressão, cada folha receberá as três impressões, além do preto, que provavelmente forma os demais elementos do layout.
A separação de cores tem como ser realizada por qualquer dos programas que um designer usa no seu dia a dia. Isso pode ser feito, gerando arquivos ou impressões em separado para cada uma das cores utilizadas, sejam elas de cores de escala CMYK ou cores especiais. Claro que isso seria apenas uma demonstração de separação de cores, pois para a efetiva saída de fotolitos e chapas é necessário dispor de programas e equipamentos de alta resolução, como um programa RIP, uma imagesetter, uma platesetter …
Ajustes nas policromias : os métodos UCR e GCR
Nos exemplos dado acima sobre a escala CMYK de C30/M100/A100, trata-se de uma cor uniforme. Ela é uma cor aplicada. O mesmo seria se o desenho fosse formado por um drêgade. O designer define as porcentagens das cores-limite do drêgade e o programa gráfico utilizado, determinando automaticamentos as porcentagens de todos meio-tons que farão a transição de uma cor a outra. Nesses dois casos estamos falando de cores aplicadas. Já em uma fotografia colorida, as cores não são aplicadas, porque não teria como definir manualmente a porcentagem de cada um dos meio-tons que formam a imagem (são milhares), isso só seria possível se objetivar gerar um efeito de ilustração.
Essas porcentagens são realizadas automaticamente na geração do arquivo digital da foto (scanner ou pela máquina fotográfica), nesse caso dizem que as cores foram formadas pelo processo de seleção de cores, e não pela aplicação nela como é o caso do layout.
Existem várias razões para que o designer interfira no resultado do processo de separação de cores, editando o arquivo da fotografia ou da ilustração, alterando contraste, luz, aplicando textura, e assim por diante. Além dessas a uma razão técnica, que não é perceptível apenas olhando para imagem, o excesso de tinta na impressão que comumente é acarretado pela separação de cores realizada a partir da conversão automatizada da imagem de RGB para CMYK. Isso ocorre porque as três cores básicas de RGB formam as demais pela síntese aditiva. o branco é resultado da adição do máximo de luzes vermelhas, verde e azul, assim todos os outros tons são formados por quantidade menores dessas três cores. Quanto menores as quantidades dessas cores, mais escuro fica o tom – sem que haja o preto como cor formadora da escala, porque o preto se dá justamente pela ausência dessas três cores.
Resumindo: em RGB o cinza não é um meio-tom do preto, mas sempre formado por vermelho, verde e azul. Portanto, quando convertidos de RGB para CMYK, as cores herdam esses três tons.
Conclusão : os cinzas e todos os tons escuros são com muita frequência convertidos de maneira automática com as porcentagens das quatro cores do CMYK – e quanto mais escuros, maior fica a porcetagem de cada uma delas. Com isso a conversão acaba criando um excesso de pontos – nos quais podem gerar problemas sério quando impressos ( podendo “entopir” as retículas e a grande quantidade de tinta requerida aumenta o ganho de ponto, e também aumenta o risco de imagens borradas, escuras ou com má definição. Esse exagero de tinta aumenta o risco de rasgos durante a impressão ( diminuindo a resistência do papel). Para evitar esse problema existe o limite para a soma das porcentagens, com isso muitas vezes necessita corrigir as porcentagens para que todos os meio-tons sejam formados por uma soma que não ultrapasse o limite. Isso não pode ser padronizado pelos programas gráficos, pois depende do processo de impressão, do maquinário, do papel utilizado e também do perfil cromático. Essa correção de cores – feita durante a conversão das imagens de RGB para CMYK, é realizado pelo programa de acordo com as determinações do designer. Há dois métodos automatizados para este fim : o URC ” remoção de cores sobrepostas” e o GCR ” substituição de componente cinza”. Esses dois métodos retiram percentuais das três cores da escala europa – cada uma de forma diferente – e os compensa com um maior percentual de pontos na retícula preta, sendo assim uma cor formada por 30C/100M/100Y, em tese ficaria semelhante com 70M/70Y/30K, reduzindo-se assim a carga nominal da tinta de 230% para 170%, em condições ideias, o resultado do tom seria idêntico.
obs: quanto maior a aplicação do UCR ou do GCR, menos ficam preservados o brilho e os tons da imagem, em prol será uma impressão menos problématica e mais econômica.
UCR – atua apenas nas áreas de tons neutros da imagem, é mais usado no dia a dia dos designers, pelas próprias características da maioria das situações dos projetos.
GCR – diminui o percentual de CMY em todas as áreas de máximas, sejam eles neutros ou não, mais usados em imagens que serão impressas em jornais e revistas de alta tiragens (falta de brilho e de contraste, imagens mais escuras)
Assim, concluimos que ao mesmo tempo em que o UCR mantém uma maior riqueza cromática, ele requer condições melhores de impressão. Quando essas condições exigem mais cuidados, o GCR é mais eficaz, pois sua aplicação tem um resultado mais radical.
Algumas observações sobre as aplicações em UCR e GCR :
- o padrão da tinta segundo o tipo de papel utilizado – impressoras offset planas, e utiliza-se o padrão de tinta Europa. Para impressões em rotativa offset, usa-se o padrão SWOP. A variável de papel tem como opções, papel de imprensa, papel revestido ou papel não revestido.
- o ganho de ponto previsto – esse dado deve ser obtido diretamente com a gráfica, e depende do processo de impressão, do maquinário e do papel.
- a intensidade da retícula a ser gerada para o preto – esse item que definirá, a intensidade de aplicação do GCR ou do UCR, na dúvida usa-se a de menor intensidade.
- o limite máximo do preto – define o percentual de pontos máximo que a nova retícula de preto poderá conter.
- o limite total das quatros tintas – define o valor máximo da soma dos percentuais das quatros retículas.
- o percentual de adição de CMY nas áreas de máxima – ele redefine o GCR, de maneira a compensar a eventual perda de densidade dos pontos nos tons neutros escuros da imagem, com adição de cian, magenta e amarela. Só se dever usar mediante clara orientação de parâmetros pela gráfica que executará o trabalho.
A aplicação de UCR e GCR devem ser definidos e aplicados ainda com a imagem no padrão RGB, sendo assim convertida para CMYK. Nada adianta aplicar os dois em uma imagem que já tenha sofrido a conversão, caso aplicados, será possível verificar as alterações na tela do computador, mas esse recurso não interferirá na geração dos fotolitos ou das matrizes (que continuaram recebendo as retículas com as porcentagens CMYK definidas anteriormente, na separação das cores na conversão), por isso é aconselhável sempre salvar com outro nome as imagens convertidas em CMYK, preservando o arquivo em RGB. Caso esse arquivo tenha sido perdido, a única solução é (1) ajustar os parâmetros do GCR ou do UCR para os mesmo valores usadas na conversão de RGB para CMYK, (2) converter a imagem em CMYK para um terceiro padrão – LAB Color – (3) reajustar os parâmetros para os valores desejados, (4) aplicar o UCR ou o GCR com esse novos valores e, finalmente (5) converter a imagem novamente para CMYK.
HiFi Color e Hexacromia Pantone
Além da escala CMYK, há mais duas escala para impressão no mercado, a primeira delas é chamada sistema HiFi Color que acrescenta mais três cores de seleção as quatros da CMYK, o vermelho, o verde e o azul-violeta. Mas esse sistema só pode ser aplicado, a partir de equipamentos específicos para a produção de seus sete fotolitos e para a impressão utilizando a chamada retícula estocástica.
A outra escala é mas rara no Brasil, é a escala Pantone Hecachrome, ela utiliza de dois tons bastantes saturados de laranja e verde, ao lado do cina, do magenta, do amarelo e do preto. Suas vantagens está o fato de ela gerar cores mais vivazes e por ter mais cores de seleção, mas todavia, requer de um custo maior (são seis tintas, são seis impressões).
Retícula estocástica
A maioria dos designers tem contato diário com a lógica desse recurso, pois é a mesma utilizada pelas impressoras coloridas, a produção dos tons não por pontos organizados geometricamente numa pequena rede como é o caso da trama de pontos. Ela distribuí de maneira aparentemente aleatória, condesando-se ou afastando-se de acordo com o tom de cor almejado. Funcionando assim, com o adicional que seus pontos são microscópicos, variando de sete a 40 milésimos de milímetros. O termo frequência modulada dá ênfase ao fato de que os pontos se organizam modularmente.
São inúmeras as vantagens, em especial a melhor definição das imagens e dos detalhes, cores mais vivas e uma melhor simulação de tons contínuos (é a passagem de um meio-tom para o outro), mas sua aplicação ainda é problemática nos equipamentos voltados para a impressão em larga escala, o diminuto tamanho de seus pontos requer acertos frequentes e específicos das máquina, os erros no fotolitos não têm como corrigir com rapidez, já que os pontos são distribuídos de forma modular e não de forma geométrica. Apesar da alta qualidade, as provas de fotolitos hoje disponíveis ainda não são totalmente satisfatórios, todavia, a tecnologia estocástica está em pleno aperfeiçoamento, sendo umas das apostas da indústria gráfica para o médio prazo.
Cores especiais
Assim como temos monocromias em meio-tons e a traços, também temos impressões coloridas que não utilizam meio-tons, mas apenas traço. Essas impressões coloridas (policromias – impressões em duas ou três cores), e essas cores utilizadas não são de escala e sim cores especiais (cores spot).
O que seria cores especiais?
uma cor especial é qualquer uma que não seja o cian, magenta, o amarelo ou o preto – ou seja, qualquer cor que não seja impressa a partir da combinção do CMYK.
Essas cores são mais caras?
Talvez. Em algumas gráficas eles cobram um pequeno acréscimo pelo uso de cores especiais, justamente porque saem do padrão. Requerendo trabalho adicional, como: a lavagem da impressora antes do impresso e depois do impresso e pelo fato que a gráfica terá de adquirir a tinta daquela cor específica ou produzi-la, pela mistura de outras.
Mas quais situações utilizamos cores especiais?
Primeiro caso, é quando queremos um impresso que tenha cores mais dispomos de um orçamento baixo. Uma policromia faz com que o impresso seja impresso quatro vezes, uma alternativa é optar por apenas duas ou três cores, barateando os custos. Já o outro uso, é o oposto ao primeiro. Ele não barateia a impressão e sim encarece o impresso, po gerar necessidade de uma quinta impressão. Isso ocorre quando se usa a cor especial em adição às da policromia.
Áreas chapadas e cores chapada
Agora vamos esclarer essas noções, onde ocasiona muitas confusões na termologia utilizada entre designer e gráficos. Trata-se de palavra “chapado” e das variações cor chapada e área chapada.
O termo chapado tem origem no próprio ambiente gráfico, especialmente do processo de impressão offset, ele se refere a um elemento que será impresso sem qualquer variação de tom – ou seja – a traço e por uma única tinta. Assim na chapa esse elemento é gravado de maneira uniforme, sem pontos e sem qualquer variação.
Então para os gráficos o termo chapado é um impresso que será realizado a traço e por uma única tinta, sem variações e a área chapada é a área ocupada na chapa por esse impresso.
E para os designers o termo chapado se refere a qualquer cor uniforme que ocupe um espaço expressivo no layout. Isso equivale, com frequência, à idéia de cor chapada – seja esta cor impressa por cor especial ou meios-tons de cores de seleção ou cores especiais.
Cores nos processos sem policromia
Embora o uso de reticulagem seja um recurso poderoso, alguns processos de impressão não têm como utilizá-lo. Encaixam-se neste caso o corte eletrônico e a maior parte dos equipamentos de flexografia e de serigrafia disponíveis no Brasil.
O que acontece nesses processos que a cor será impressa exatamente com a tinta que ela possui, para ter uma nova cor, se faz necessário uma nova tinta.
Um exemplo são as máquinas de flexografia – elas são projetadas para realizar oito impressões sucessivas, cada uma com a tinta diferente. Com isso o impresso pode ter ao menos oito variações cromáticas.
É importante notar que os equipamentos de flexo e em serigrafia permitem o uso de retículas ( mas nas maiorias das vezes só pode ser aproveitado para retícula de pontos grandes, visíveis a olho nu). Sua utilização para simulação de meio-tom se revela deficiente, quando impossível – exceto vistas a grandes distâncias – mas neste caso a retícula consiste muita mais num elemento de traço do que de meio-tom. Mas existem equipamentos em flexo e em serigrafia disponíveis no Brasil com tecnologia de última geração, possibilitando meios-tons de boa qualidade, no entanto, não é ainda possível considerar que a flexo, assim como a serigrafia, seja um processo adequado à produção de meios-tons satisfatórios a custos viáveis.
Especificação das cores especiais
Vimos que para especificar as cores de escala, basta dispor de uma cópia impressa da escala CMYK, já no caso das cores especiais o procedimento difere ( não são formadas por retículas ). É preciso que a gráfica saiba exatamente qual a cor a ser impressa, tendo alguma referência fornecida pelo designer.
1- uso do catálogo do fabricante de tintas
é o procedimento mais seguro, mas também o que dá menos opções de cores. Basta o designer consultar esse catálogo e identificar o código de uma determinada cor, com isso a gráfica adquire a tinta e a aplica na impressão, descartando a maior possibilidade de erro.
Porém essa opção não deve ser adotada quando se prevê a reaplicação da cor em impressos a serem produzidos a médio e longo prazos, como identidade visual, emabalagens e projetos gráficos de capas de livro que formarão série e coleções.
2- uso da escala pantone
Esse seria o melhor procedimento no offset. Ela se baseia em 14 cores (incluindo o preto e o branco), que produzem 1.114 cores especiais. As cores são obtidas pela mistura das tintas básicas – misturas essas compradas já prontas ou realizadas pela gráfica seguindo rigorosamente as proporções indicadas pelo catálogo.
Mas como nada é perfeito a escala pantone também tem seus defeitos. Como sua demanda é baixo em comparação com a CMYK, o seu custo é um pouco maior, e muitas das vezes a saída que as gráficas encontram para que se cumpra o prazo e o trabalho não seja encarecido é a tentativa de obtenção da cor Pantone com o uso das mistura de cores de seleção (o que não reproduz fielmente os tons almejados). Por isso se faz necessário o acompanhamento do designer ou do produtor quando a tinta for colocada na máquina para certificar-se que está correta ou, ao menos, estar presente quando da mistura das cores, tentando garantir a maior fidelidade possível à referência do catálogo.
3- uso da escala CMKY para mistura de tintas
Pelo o que eu li e entende esse seja o procedimento mais comum no Brasil, o designer indica a cor da tinta que deseja consultanto a escala CMYK impressa e o gráfica mistura as tintas das cores de seleção até alcançá-la. Isso é chamado de bater tinta.
O resultado dessas misturas são grandes chances de ser satisfatório, pois a escolha foi feita a partir da própria escala. Mas é também recomendado o acompanhamento do designer ou do produtor nessa mistura. Há dois cuidados a serem tomados:
– reconheça a cor a partir de sua aplicação no mesmo papel no qual será realizada a impressão, após um breve tempo de secagem, e jamais a partir de tinta pura, na lata.
– certifique-se com o gráfico de que a quantidade misturada será suficiente para toda a tiragem.
4- mistura de tintas a partir de uma amostra da cor
Esse é o procedimento mais perigoso, mas embora o mais raro.
Nesse processo a tinta é misturada tendo como referência uma amostra cedida pelo produtor ou o designer, e o gráfico tenta alcançá-la a partir da mistura de tintas nas cores de seleção.
PROBLEMAS
- não há garantia de que a cor de referência tenha sido obtida originalmente pelas cores de seleção, que serão a base da mistura. Isso fica mais claro quando o suporte da amostra não é papel: se a amostra for um plástico, um tecido etc, será mais difícil alcançar um resultado fiel.
Entradas em máquinas (código x/y)
Como vimos antes, cada cor de seleção utilizada corresponde a uma impressão em separado, assim como cada cor especial. Chamamos cada uma dessas impressões de entrada em máquina (na serigrafia, não se utiliza este termo). Como já sabemos cada entrada em máquina representa um aumento de custo. Por isso, um dado fundamental para um serviço de impressão consiste em informar quantas entradas em máquinas aquele trabalho requer.
Essa indicação é dada de uma maneira padronizada:
o código x / y um exemplo: 2/1 – dois barra um – indica que um dos lados do papel terá duas impressões e o outro, apenas uma, provalvemente esse impresso incluirá uma ou duas cores especiais, e não cores de seleção.
Alguns exemplos:
- 1/0 – um barra zero – impressão de uma cor numa fase e nenhuma impressão no verso da folha, é uma monocromia de uma face só, um cartaz preto e branco por exemplo.
- 1/1 – um barra um – impressão de uma cor em cada face da folha, é o caso do miolo da maioria dos livros.
- 2/0 – dois barra zero – impressão de duas cores numa face e numea impressão no verso, exemplo capa de livro.
- 3/3 – três barra três – impressão dos dois lados da folha, com utilização de três tintas. Neste caso é possível que seja utilizada a escala CMYK, obtendo-se outras cores por meio de retículas.
- 4/1 – quatro barra um – impressão de quatro cores (policromia) numa face e de apenas uma cor (preto e branco) no verso.
Entre outros exemplos…
Fatores que compremetem a fidelidade das cores
Há outros fatores que podem comprometer a fidelidade da impressão com relação às cores que foram especificadas. Seguem quatro delas.
Não conversão para escala CMYK
Trata-se de uma problema usual, causado por desatenção ou desinformação do designer. Esse problema ocorre quando o designer não faz a conversão da escala de RGB para CMYK. Se tal não for realizado, uma das consequências pode ser a alteração das tonalidades.
Influência do papel
O próprio papel utilizado na impressão, especialmente no processo offser, pode alterar a tonalidade. Em se tratando de papéis coloridos, isso é notório no offset e na flexografia, pois suas tintas não são opacas. Todavia, mesmo com faces brancas, o tipo de papel altera a tonalidade das tintas: papéis brilhosos e muitos lisos tendem a tornar as cores vivazes, enquanto aqueles mais foscos fazem o efeito oposto. Por isso todo catálogo de tintas para impressão ou escala impressa traz as tintas impressas ao menos num papel mais fosco e em outro mais brilhoso.
A única solução para evitar esse problema está na escolha de papéis adequados a cada projeto ou a definição das cores a partir de amostras impressas em papel semelhante ao que será utilizado.
O carregamento da tinta
A quantidade de tinta utilizada também pode alterar a tonalidade, especialmente nas policromias: uma carga maior de tinta de uma das cores de seleção com certeza afetará todas as cores de escala do impresso, assim podendo ficar mais avermelhado, mais azulado, mais escuro ou mais claro, entre outras.
Instabilidade do processo
Nesse caso de instabilidade, a tiragem tende a não ser uniforme, com pequenas alterações de uma sucessão de impressos para a outra. Isto se aplica também à tonalidade das cores, cuja variações intrínseca deev ser levada em conta. Obviamente, há níveis toleráveis para isso: se a variação for muito grande, a ponto de comprometer o trabalho, é preciso reajustar a máquina durante a impressão, compensando no total da tiragem aqueles exemplares “lavados” ou com carregamento exagerado de uma ou outra cor de seleção.
————– || —————
Resumo feito do capítulo Meio-tom e Cor do livro Produção Gráfica para designer.
Catarina said:
jul 20, 09 at 10:11 PMSensacional, Kinhu. Excelente resumo! Bjs
léoq said:
dez 18, 09 at 5:23 PMparabéns!! Tem muita informação valiosa ai.